Mulher não vota em mulher… hipocrisia nas redes sociais ou machismo geral?

Imagem ilustrativa: Gerd Altmann/Pixabay

Uma coisa me chamou a atenção nessas eleições 2020. A pouca quantidade de mulheres (apesar do aumento no número de candidatas), que conseguiram se eleger tanto para prefeituras, como para as câmaras de vereadores pelo país afora. E a pergunta que não quer calar é: cadê o voto do eleitorado feminino que tanto cobra (nas redes sociais) igualdade de gênero? Aqui no Brasil, segundo o TSE, 52,49% dos eleitores são do público feminino.

As redes sociais, tem sido a grande vitrine onde influenciadora(e)s e ‘pessoas ‘comuns’, manifestam seus pensamentos e perspectivas sobre o que consideram o ‘mundo ideal’ a partir da equidade de gênero, opção sexual, religião, raça etc.

Porém, todos esses manifestos virtuais, parecem não passar de uma hipocrisia em rede. Na vida real, as estatísticas mostram que, quando chega a hora de por o discurso em prática, poucos são os que verdadeiramente ‘chegam junto’.

Citarei dois exemplos de mobilização nas redes e animosidades na vida real… 1) Quem não se lembra da repercussão na internet, aqui no Brasil, sobre a morte do americano George Floyd? Dias depois, em São Paulo, um policial teve uma atitude parecida contra uma mulher e não se viu a mesma viralização. Ninguém foi às ruas protestar. 2) Vimos inúmeros comentários de apoio às candidatas femininas à vereadoras em várias partes do país, porém, em mais de 900 cidades em todos os estados, nenhuma mulher foi eleita.

Ou seja, lacrar nas redes sociais parece ser um ‘gatilho’ ou jogada de marketing apenas para obter os likes e followers. Na realidade, ao que tudo indica, essa galera só busca mesmo é audiência para garantir a monetização pelas postagens de determinadas marcas em suas contas. E só. Aí apresentam-se como defensores de causas para parecerem indiviuos engajados e ficarem bem com os fãs e seguidores. Enfim, não passam de biscoiteira(o)s de plantão.

Levantamento feito pelo portal G1.com aponta que, além das 948 cidades sem nenhuma vereadora eleita, tivemos mais de 1800 outras que elegeram apenas uma mulher. Ou seja, dos 5.568 municípios brasileiros, praticamente metade só teve uma ou nenhuma representante feminina eleita. Uma prova de que, em pleno século XXI, o machismo continua imperando também na política.

Essa mesma pesquisa, mostra um retrato dessa realidade também para o executivo. Proporcionalmente, os estados que mais elegeram prefeitas foram: Roraima em 4 (28,6%) entre seus 15 municípios; Alagoas 21 (21,8%) dos 101 (exceto Maceió) e Maranhão 43 (21,6%) dos 216. Por outro lado, o Espírito Santo foi o que menos elegeu, apenas 1 mulher entre 74 dos 78 municípios.

Um comparativo entre cidades distintas também ilustra esse disparate nas câmaras de vereadores. São Paulo com 55 cadeiras, apenas 13 serão ocupadas por mulheres. Em Cruz das Almas (Ba), dos 15 assentos, somente 3 serão delas.

Confira abaixo, o mapa das cidades que não elegeram vereadoras nos estados (Infográfico G1)

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